Crédito: consumidores só sentirão impactos da Selic em 2011
Os consumidores tomadores de crédito só sentirão as
elevações da taxa básica de juros (Selic) no início do
próximo ano.

“O objetivo da elevação da Selic é a desaceleração do
crédito”, explica o economista da Associação Comercial
de São Paulo, Marcel Solimeo. “Com o aumento, o crédito
fica mais caro e o custo derruba a demanda”, explica.
Com a expectativa de elevação de mais 0,75 p.p. nesta
semana, com a taxa saindo de 10,25% ao ano para 11%
ao ano, os impactos devem ser ainda maiores no crédito
ao consumidor, mas a médio e longo prazo.

De acordo com Solimeo, nos últimos dois anos, o volume
de crédito ofertado ao consumidor registrou aumento de
cerca de 25% e continua crescendo. “Esse aumento
decorre do aumento da demanda, pelo crescimento da
economia e da renda dos consumidores”, afirma o
economista.

A maior oferta de crédito, na avaliação de Solimeo, é um
bom negócio para os bancos, mesmo em tempos de
desaquecimento. “Os bancos consideram o crédito
pessoal um nicho muito grande pela rentabilidade”,
explica. Esse nicho, lembra o economista, aumentou nos
últimos anos, já que entre 2007 e 2009, cerca de 30
milhões de brasileiros entraram no universo do consumo
e passaram a ter acesso ao crédito.

Procura por crédito
De acordo com os últimos dados da Serasa Experian,
entre janeiro e junho, a demanda por crédito do
consumidor registrou aumento de 16,6% na comparação
com o mesmo período do ano passado.

Para o economista da ACSP, contudo, esse cenário não
deve se manter por muito tempo e haverá quedas ainda
neste ano na procura por crédito. “A queda é um reflexo
natural da antecipação do consumo”, avalia Solimeo.
Entre o último trimestre do ano passado e o primeiro
deste ano, os consumidores efetuaram compras além do
esperado, aproveitando ainda os incentivos fiscais
concedidos pelo Governo.

Com isso, agora, o momento é de menor consumo. “E na
medida em que há uma desaceleração do consumo, há
uma desaceleração da procura por crédito”, explica o
economista.

Para Solimeo, a previsão é que tanto a demanda como a
oferta de crédito crescerão daqui para frente, porém,
em ritmo bem menor que o verificado hoje.

Fonte InfoMoney - Camila F. de Mendonça
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