O crédito consignado para funcionários de empresas
privadas começou a crescer em ritmo mais acelerado
que as operações para servidores públicos em 2010. De
acordo com o Banco Central (BC), no período de 12
meses contabilizados a partir de maio do ano passado o
setor privado aumentou a carteira de R$ 12,174 bilhões
para R$ 16,882 bilhões.
Segundo o BC, no período, o saldo de consignado
privado cresceu 13,1%, contra 12% dos servidores
públicos. Contudo, em valores, a carteira dos
funcionários públicos é quase seis vezes maior, pois
alcançou R$ 104,103 bilhões em maio.
Na opinião de José Roberto Savoia, coordenador de
Projetos da Fundação Instituto de Administração (FIA),
entidade ligada à USP, em até 5 anos os valores de
carteiras devem se equiparar.
Savoia destaca que levou 5 anos para os bancos
estruturarem as bases, os softwares e os convênios
para implantar o crédito consignado no setor público. "É
muito lógico pensar que a estrutura será levada para o
setor privado. Em menos de cinco anos os setores
devem se equiparar."
O acadêmico ressalta que as taxas de juros podem não
ser tão atraentes para o setor privado como são as do
público. "Temos de levar em conta que é um funcionário
sem estabilidade e por isto os prazos podem ser
menores. É preciso dar-se a maturação do mercado e a
criação de convênios entre bancos e empresas."
Ele destaca que o ritmo de crescimento da carteira de
crédito vai depender do quanto os bancos querem se
expor a riscos como o de a pessoa ficar
desempregada. "A dívida é da pessoa. Se ela trocar de
emprego, ela pode ou não vincular a empresa nova."
Quanto o fato de a taxa de crescimento do setor público
ser mais alta que no privado, Savoia justifica que a base
é pequena. "O setor público tem uma base financeira 10
vezes maior. Há espaço para ambas crescerem. A
demanda de funcionários públicos e privados é grande e
reprimida."
Outro professor que acredita no crescimento da carteira
de crédito consignada do setor privado é Alcides Leite.
O professor de Economia da Trevisan Escola de
Negócios disse que os empregos formais podem
impulsionar os negócios para os bancos.
Para Leite, entre ano passado e este ano houve um
período de aquecimento das contratações formais e com
carteira assinada. "O mercado só poderia desandar se
houvesse uma onda de desemprego, mas ninguém
prevê isto."
Emprego
Na quinta-feira, o Cadastro Geral de Empregados e
Desempregados (Caged) divulgou que a economia do
Brasil teve uma geração histórica de empregos formais
no semestre. Ao todo foi criado no período 1, 473 milhão
de vagas. Os números superam o recorde registrado em
2008, de 1,361 milhão.
Os dados do Ministério do Trabalho revelaram que São
Paulo liderou a criação de empregos com a criação de
545 mil novas vagas, seguido por Minas Gerais (232 mil
postos), Rio Grande do Sul (104 mil), Paraná (100 mil
postos), Rio de Janeiro (88,5 mil), Goiás (70,1 mil ) e
Santa Catarina (66,2 mil).
Para o ministro do Trabalho, Carlos Lupi até o final do
ano serão gerados 2,5 milhões de empregos formais. Se
este número for confirmado, o total de empregos criados
desde 2003 atingirá 11,14 milhões, resultado que
superará a marca de 10 milhões de vagas que o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu durante a
campanha de 2002.
Dados do Caged apontam de que o sudeste foi
responsável pela criação de 894, 012 mil novos
empregos com carteira assinada no primeiro semestre.
Em junho, o sudeste abriu 123, 823 mil novas vagas.
São Paulo foi responsável pela criação de 70, 265 mil
empregos com carteira assinada.
O destaque ficou com a geração de empregos nos
setores da agropecuária, com 24, 336 mil postos, de
serviços, com 18, 941 mil, da indústria de
transformação, com 16, 075 mil, e, na lanterna, o
comércio, com 10, 356 mil.
Em Minas Gerais, a geração de empregos cresceu
6,64%, o que representou o surgimento de 232.572
novas vagas. O estado obteve o segundo melhor
desempenho do País: no interior mineiro, foram gerados
172, 376 mil postos de trabalho, e na região
metropolitana 60, 196 empregos.
No mês de junho, o Estado do Mato Grosso viu a criação
de 5, 287 mil empregos registrados, o equivalente a
crescimento de 1,03% em relação ao estoque de
assalariados com carteira assinada do mês anterior. O
setor de agropecuária foi o que mais cresceu - 2.734
postos. A indústria de transformação foi o segundo
colocado, com 717 vagas.
De acordo com a imprensa local, as cidades de
Primavera do Leste e Sinop criaram 439 vagas e 294
vagas de emprego formais, respectivamente. Várzea
Grande criou 165 novos empregos.